sábado, 16 de outubro de 2010

Vaffanculo democrazia rappresentativa!


Para aqueles que têm a ilusão de que a democracia representativa seja o sistema político mais adequado da história da humanidade. Vejam esse vídeo:




Beppe Grillo é um famoso humorista italiano que há anos realiza criticas viscerais em relação ao sistema político italiano e também aos políticos profissionais. Nesse evento, o Vaffanculo day (dia de tomar no cu) ele convida o jornalista e escritor Massimo Fini, um dos maiores críticos da democracia representativa e que nesse vídeo ilustra perfeitamente a situação política dos dias de hoje.

Apresentação de Beppe Grillo: Gostaria de dar a palavra a este descarado que sempre foi assim, que sempre foi do contra. Ele escreveu livros extraordinários. É essa pessoa aqui Massimo Fini. Obrigado Massimo.

Eu estou de acordo como é obvio sobre os três pontos fundados no Vaffanculo day (dia de tomar no cu), ou seja, o fato de que não sejam submetidos ao parlamento, que não estejam os mesmos parlamentares por dois mandatos e que possa voltar a votar e a escolher os nossos candidatos. Acredito que isso seja um modo para mostrar apresentável alguma coisa que de apresentável não existe e que é indecente, que é uma fraude. Isso se chama de democracia representativa. Eu tenho definido e defino a democracia representativa, em uma maneira como todo o respeito, uma forma de enfiar no rabo as pessoas com seu consenso, especialmente para as pessoas mais humildes. Além do mais, nunca se entendeu bem o que seja de fato a democracia representativa. Norberto Bobbio, que dedicou toda a sua laboriosa vida a esse tema, não conseguiu solucionar esse problema. Indica como essenciais a democracia representativa uma vez nove elementos, uma vez seis, uma vez três. No entanto, levamos em consideração dois elementos que são considerados da vulgata como essenciais à democracia, isto é, o voto é igual – one man one vote – como dizem os anglo-saxões, o voto é livre. Pois bem, o voto não é igual: o consenso é falsificado. O voto não é igual pela razão definida que ilustrou aquela que é chamada a escola elitista italiana dos primeiros anos do século XX, Gaetano Mosca, Vilfredo Pareto e Robert Michels. Diz Mosca: “Cem que agem sempre em concordância e de acordo prevalecerão sobre mil que agem livremente”. O consenso não é livre porque amplamente condicionado pelos meios de comunicação que estão nas mãos das mesmas pessoas e que, não por acaso, se chamam de instrumento de consenso.

Na realidade a democracia representativa é um sistema de oligarquias, de minorias organizadas, de aristocracias disfarçadas que esmagam o cidadão singular, o homem livre que não quer ser humilhado a ser enfeudado nessas oligarquias, os partidos e outros lobby econômicos e criminosos frequentemente ligados entre si. A democracia representativa seria aquilo que o pensamento liberal queria valorizar – méritos, capacidades, potencialidades – e o cidadão ideal se torna a vítima designada.

Sem fazer muita teoria, vemos que todos nós não valemos nada, que a nossa voz não é escutada. Alguns anos atrás, na Praça San Giovanni, reuniram-se mais de um milhão de pessoas sobre um tema como as leis ad personaum, um tema dificílimo de fato, pois é mais fácil reunir as pessoas sobre temas econômicos. Pois bem: não houve nenhuma resposta nem a direita e nem a esquerda. Aliás, a esquerda afirmou constantemente: “não me confundirá como um girontodino”* como se manifestar nas praças não fosse o primo direito político do cidadão que vem antes do voto.

O problema é da democracia mundial, ocidental mas o sistema italiano, e Grillo ilustrou muito bem, existe degenerações intoleráveis. Dizia Hans Kelsen, que não é um marxista e não é um extremista talibã, que a democracia representativa é um sistema de ficção e afirmava que a função da democracia representativa é de dar a sensação de liberdade e, perguntava até quando essa extraordinária cisão entre realidade e ideologia possa continuar. É a pergunta que eu tenho feito há muito tempo. Naturalmente as democracias surgidas através do banho de sangue puseram uma tampa conceitual, uma espécie de norma de fechamento, afirmando que a democracia é o fim e o fim da história, pela razão que nós seremos condenados a morrer democratas. Eu acredito que, como qualquer sistema que não respeita nenhum dos seus pressupostos, cedo ou tarde cairá. Não será um evento como esse organizado maravilhosamente por Beppe, não será certamente a geração de Grillo ou da minha. Mas cedo ou tarde essa trapaça desse gênero deve ser eliminada. Obrigado.

Massimo Fini

Tradução: Jayro de Sousa Costa

* girontondino = movimento de cidadãos italianos surgido nas grandes cidades italianas em 2002 em defesa da democracia. O movimento se caracteriza pela crítica ao governo de Silvio Berlusconi e também aos partidos de esquerda, estes considerados por fazer uma oposição branda ao magnata dos meios de comunicação.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Todos Juntos


Essa canção é um dos temas mais importantes na história da música chilena, composta pelo grupo de música folclórica Los Jaivas, um dos mais importantes do cancioneiro latino-americano. A música dedico não apenas ao drama dos mineiros chilenos, mas a todos aqueles que buscam uma sociedade mais humana. A metafora da caverna de Platão nunca ficou tão evidente como foi esse caso no Chile e que comprova todas as falsas teses de que o ser humano é um ser auto-destrutivo. O ser humano mostrou mais uma que o espírito de solidariedade ainda não morreu, apesar de vivermos em uma era onde o espírito indivualista nos fazer acreditar que o homem é o lobo do homem.
Deixemos as discussões bobas de lado e todos juntos vamos viver!




Todos Juntos

Los Jaivas

Hace mucho tiempo que yo vivo preguntándome
Para qué la tierra es tan redonda y una sola no más
Si vivimos todos separados
Para qué son el cielo y el mar
Para qué es el sol que nos alumbra
Si no nos queremos ni mirar

Tantas penas que nos van llevando a todos al final
Cuantas noches, cada noche, de ternura tendremos que dar
Para qué vivir tan separados
Si la tierra nos quiere juntar
Si este mundo es uno y para todos
Todos juntos vamos a vivir

Tradução

Faz muito tempo que eu vivo me perguntando
Para que a terra é tão redonda e uma só não mais
Se vivemos todos separados
Para que são o céu e o mar
Para que é o sol que nos ilumina
Se não queremos nem olhar

Tantas penas que nos vão levando a todos ao final
Quantas noites, cada noite, de ternuna tendemos que dar
Para que viver tão separados
Se a terra nos quer juntar
Se este mundo é um e para todos
Todos juntos vamos viver

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A demissão de Maria Rita Kehl e o papel da mídia



crédito: Terra Magazine

A psicanalista Maria Rita Kehl foi mais uma vítima por parte dos grandes meios de comunicação, ligados ao candidato a presidência da república José Serra, por manifestar sua opinião através do artigo intitulado dois pesos duas medidas no jornal Estado de S. Paulo em que ela critica a opinião pública por desqualificar o voto dos setores mais pobres em apoiar o governo Lula, devido aos programas sociais que tiraram milhões destes da situação de miseralibilidade.

O que aconteceu com ela? Foi demitida sumariamente! E ao que tudo indica por pressão de José Serra, que já operou outras demissões e afastamentos de jornalista na TV Cultura, como foram os casos Gabriel Priolli, Herodoto Barbeiro e outros jornalistas que realizarem várias matérias críticas sobre a gestão tucana no Estado de S. Paulo.


Quem tem acompanhado ultimamente sabe que a TV Cultura está em um caos generalizado, em razão do desmonte público realizado pelas sucessivas admistrações tucanas, que operam uma verdadeira privatização no canal. Os funcionários sofrem com essa situação através da precarização do trabalho, dos reajustes salariais, assédio moral e outras modalidades que todos os trabalhadores assalariados conhecem.


Os meios de comunicacão de modo geral, estão sempre a serviço do capital e dos políticos profissionais que mais se identificam em defesa do sistema capitalista. É claro que o governo Lula não é nenhum governo anticapitalista (é óbvio!) e nem mesmo chega a realizar uma política social-democrata, mas o fato de um ex-operário ter saído de uma posição de miséria e que atualmente ocupa espaços na "democracia representativa" cause arrepios a classe dominante e setores fascitóides de classe média como uma "ameaça ao
establishment" .

Na democracia representativa, os pobres de modo geral, geralmente apoiam candidatos que realizam programas assistencialistas que ofereçam algum tipo de vantagem e é essa a razão da grande popularidade de Lula. Pode criticar o assistencialismo, mas diante de uma sociedade que ainda carrega a marca da escravidão, qualquer tipo de apoio melhora as condições de vida da população. De nada adianta criticar o governo por denúncias de corrupção e pregar "a ética na política", a essência da democracia representativa é a corrupção que envolvem todos os partidos políticos. Estes por sua vez, são orgãos burocráticos que apresentam discursos diferentes, mas na prática operam igualmente com os seus pares. A ética na política só poderá ser concretizada quando a democracia representativa deixar de existir.


Lula sofre oposição por parte dos grandes meios de comunicação, por uma simples razão: a mídia perdeu o lugar de ser a porta-voz que mediava os interesses da classe dominante como se fossem os interesses de todos. Hoje esse espaço está sendo ocupado pela burocracia sindical, dos partidos políticos de inspiração social-democrata e outras organizações burocráticas que "representam" interesses de grupos minoritários como os movimentos feminista, negro, de homossexuais , e outros. Maria Rita Kehl apenas expressou a opinião da camada ascendente no governo Lula, e por isso foi punida, pois o jornal está favorável e a serviço da candidatura de José Serra.


Todavia, é necessário lembrar que, apesar de Lula e os seus apoiadores, criticarem a grande imprensa, pouco se fala que foi durante o seu governo, que se mais reprimiu rádios e canais de Tv comunitários. Na Venezuela, o governo Chavez ,usa e abusa desses instrumentos para contrapor a mídia privada para garantir o seu poder. As rádios e TV comunitárias tem uma autonomia bastante limitada, pois caso eles sejam utilizados pelo povo e para o povo e que ameaçam o poder, seja ele dos setores privados e também do próprio estado, o governo simplesmente corta o sinal e/ou oferece certas "vantagens", cooptando os ativistas mais radicais para poderem continuar com as suas transmissões.


Os meios de comunicação só poderão ser democraticos se estiverem sob o controle público. Não poderá ter nem interferência privada e nem estatal. O controle deverá ser de todos sem a necessidade de orgãos burocráticos que limitam a participação popular. Caso contrário, a liberdade de expressão será apenas usada e apropriada por esses mesmos grupos que em nome da "liberdade de imprensa" utilizam-se de mecanismos manipulatórios para manter o seu status quo. A liberdade só existe entre iguais.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Cara das eleições



crédito: movaut


"Ó Deus que mundo é esse, onde os loucos governam os cegos (Shakespeare)

As eleições no Brasil estão de mal a pior, obrigado. É cada vez nítido que a democracia representativa, não apenas no Brasil como no mundo em modo geral, passa por uma crise de identidade que poderá cedo ou tarde comprometer o seu futuro. A crise da representatividade é o reflexo da falta de legimidade dos políticos profissionais e a falta de perspectiva dos eleitores de transformar a sua realidade.

Os partidos políticos são instituições burocráticas que visam apenas a conquista do poder de estado e, são antidemocráticos em sua própria estrutura. Então cabe a seguinte pergunta: Por que votar? O voto obrigatório é democrático? Qual a razão da existência dos partidos políticos?


Infelizmente, a ideologia que sustenta a democracia burguesa afirma que o parlamento é um local de lutas e debates e que através do voto, o eleitor pode fazer a diferença, será mesmo?
Essa foi a maior mentira criada para fortalecer a manutenção do sistema capitalista.

Primeiro, por que as grandes mudanças que existiram na sociedade no século XX, não foi por meio da atuação do parlamento, e sim das lutas praticados pelos setores marginalizados da sociedade como os operários, as mulheres, os negros que aos poucos foram cooptados e corrompidos para atuar no sistema parlamentar. Inicialmente, esses setores tiveram beneficios quando foram incorporados no sistema, no entanto, acabaram se transformando em orgãos burocráticos e desta forma, afastaram de qualquer perspectiva de transformação que antes caracterizavam esses movimentos. A burocratização contribuiu para a despolitização e imobilização da sociedade.


Segundo, o parlamento é local de poder de grupos minoritários onde a maioria não tem voz e nem vez, a não ser por meio do voto. Os partidos de "inspiração socialista" ainda tentam aumentar a participação popular criando instrumentos que a principio serviram para contrapor a democracia burguesa, mas que não passam de mecanismos para a sustentação do poder desses partidos. No momento em que os trabalhadores buscam alternativas autonômas, o "representantes populares" tentam de todas as formas frear esse tipo de atuação para não perderem a sua influência nos movimentos sociais.


Terceiro, o parlamento é antidemocrático por essência:

1) Para atuar no parlamento necessita de dinheiro e /ou de fama,
2) Todos os partidos políticos são altamente burocráticos e os setores populares para poder se representar necessitam aos orgãos que aparentemente os defendem como os sindicatos,
3) Há um forte lobby dos setores economicamente privilegiados que impedem a participação popular,
4) O sistema favorece a corrupção, que é a regra e não a exceção,
5) os representantes não representam os representados, representam os seus grupos que vão desde o empresariado até a burocracia sindical.

A única diferença de uma ditadura e uma democracia em uma sociedade capitalista é que a primeira a política se restringe apenas a classe dominante e, a segunda é restrita para as massas. Ou seja, a ditadura em uma sociedade capitalista surge quando há uma crise institucional que ameaça o poder da burguesia. A democracia representativa serve para atender algumas demandas de "grupos oprimidos" que são facilmente cooptados e corrompidos para a atuar no sistema parlamentar e, desta forma serve para impedir o desenvolvimento de ações autônomas por parte da classe trabalhadora.


No Brasil, as eleições estão polarizadas em dois partidos:

O PT, um partido social-democrata que realiza um governo neoliberal de esquerda, isto é, aumenta a participação do estado na economia, mas não para atacar as causas nefastas do neoliberalismo, mas atacar apenas diminuir os seus efeitos. De fato, existe uma forte "parceria" público-privado, que nada mais é que uma privatização camuflada. O lulismo se caracteriza pelos programas sociais que impulsionaram o mercado interno, o aumento do salário real do trabalhador em especial dos setores públicos por meio de uma política macroeconômica estremamente conservadora.

O PSDB, só tem o nome de social-democrata, é um partido fortemente ligado ao neoliberalismo que se diferença do lulismo apenas na forma de condução. Defende a privatização mais acelerada das empresas estatais, é a favoravel a diminuição da presença do estado da economia assim como a máquina pública e "o aparelhamento do estado", isto é, congelamento de salários dos servidores públicos, menos investimentos em saúde, educação e outros serviços públicos.


Diante dessa quadro, o que pode se esperar é que independentemente do governo eleito não haverá mudanças. Dilma representa a continuação do governo Lula, mas ainda não se sabe o que se esperar dela. É bem provável, que tentará manter a mesma forma de atuação do governo Lula, mas será que terá a mesma habilidade do antecessor? Será que a economia estará segura as crises econômicas? A interferência do estado na economia será suficiente para que elas sejam evitadas? Será que a parceria do setor público e privado na economia terá força?


Serra por outro lado, mesmo se for eleito, terá que manter o assistencialismo que impulsionou o mercado interno caso não queira ter problemas, mas será que ele vai seguir isso a risca? Será que ele terá forças suficientes para elaborar o programa de seu partido? Será que ele vai tentar reeditar o período FHC, já que na atual conjuntura, as políticas neoliberais mais "autênticas" representariam um retrocesso e que pode impulsionar uma grave crise econômica? E como será a sua relação com os servidores públicos?


E a candidata Marina Silva representa mudanças? É claro que não. Tão falso como o discurso ecológico "políticamente correto" e ilusório "como capitalismo ecológico" onde ONGs aventureiras que a apoiam estão de olho para ganhar dinheiro na Amazônia, na qual lutam-se pela criação de parques ecológicos para "diminuir" a devastação e "preservar" a Amazonas, ou seja, nada mais que operar uma privatização da floresta amazonas, adotando um discurso semelhante ao do ex-vice presidente dos Estados Unidos, Albert Al Gore. Todavia, tanto o PT quanto o PSDB apresentam o mesmo programa em relação a Amazônia. Como diria Raul Seixas, a Amazônia é o jardim do quintal dos gringos.


Essa é a cara das eleições e nem duvide que a qualquer momento o PT e o PSDB inimigos hoje possam ser aliados amanhã, ou mesmo não, afinal políticos são todos iguais só que uns são mais iguais que os outros.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A democracia representativa tem futuro?


Eleições, eleições tempo de ilusões, nada melhor para iniciar esse texto sobre um tema que é bastante discutido, mas que poucos conseguem enxergar o óbvio: a falácia da democracia representativa. A sua ineficiência é proposital a ideologia da representatividade, em que sustenta a tese da necessidade dos cidadãos elegerem individuos para cargos admistrativos que supostamente representariam em defesa dos seus interesses.

A democracia representativa surgiu durante a Revolução Francesa em 1789, a partir do momento, em que a burguesia para se defender da desobediência popular que recusou a pagar impostos, resolveu criar a Assembléia Constituinte, para defender os seus privilégios, fazendo-se como representante geral "do povo". Na Assembléia criou dois grupos: no lado direito estavam os representantes dos setores mais ricos e mais conservadores e do lado esquerdo estavam os representantes "mais populares" como os pequenos comerciantes, a pequena burguesia, os artesãos, os camponeses.


Daí que deu origem ao termo direita e esquerda, ainda hoje usados, para designar que, a primeira representa os interesses da elite e, a segunda representa os anseios populares. Há também o grupo do centro, que nada mais é do que uma direita disfarçada, que costura alianças de todas as formas, sendo estes classificados por cientistas políticos, como grupos fisiológicos, ou seja, mudam constantemente de posição para ter maior representatividade e que de certa forma "contaminam" a direita e sobretudo a esquerda. Essa última para ter estabilidade no governo necessita desse apoio e quanto mais ela cresce mais se aproxima do centro e, desta forma, acaba se convertendo ao grupo da ordem, afastando qualquer "probabilidade de governo popular".


O desenvolvimento do capitalismo permitiu a abertura às organizações da classe trabalhadora no quadro institucional, que antes era reservada apenas a classe dominante. No entanto, a inserção das organizações populares teve um efeito paradoxo. Se por um lado garantiu mais força para o atendimento de seus interesses, por outro lado desenvolveu-se uma burocrácia que passou a auxiliar aos interesses da classe dominante, a medida que, estas se transformaram em instrumentos de manutenção da ordem capitalista, passando a defender interesses contraditórios como "a harmonização entre o capital e o trabalho" como é o caso dos sindicatos e os partidos políticos.

Em todas as partes do mundo, a democracia representativa sofre críticas por duas razões: primeiro porque a maioria dos representantes pertencem a classe social privilegiada e representam mais os interesses econômicos de seus grupos e, segundo é a pouca representatividade dos setores populares que não tem recursos suficientes para entrar no quadro institucional, a não ser através de organizações burocráticas como o sindicato e/ou grupos de "defesa de minorias".


O voto simplesmente é "uma armadilha dos tolos" como bem definiu o filósofo francês Jean Paul Sartre, pois ele se fundamenta na falta de capacidade e ignorância dos setores populares de se autogovernarem, sem a necessidade de intermediários, como é caso dos políticos profissionais, que na maioria das vezes atendem mais os interesses minoritários da classe dominante ou da burocracia partidária e/ou sindical.


A única opção para sair do marasmo eleitoral é a ação livre direta dos trabalhadores assalariados em organizações horizontais, e recusar a farsa da "democracia representativa" que não os representa para nada. O eleitor é transformado em mero votante idiota que delegará poder tanto a um espertinho ou a um imbecil e em raros casos de pessoas "bem intencionadas" que acabam se convertendo em um escravo do parlamento. Não existe soluções mágicas para superar isso, e nem adianta rezar a procura de "salvadores da pátria", que na maioria das vezes ficaram marcados na história como os maiores tiranos. Não adianta implorar por ditadura seja ela fascista ou bolchevista, que são por sua essência auto-destrutiva.
Qualquer tipo de reforma na assembléia parlamentar que busque melhorar esse quadro, geralmente é insuficiente e ineficaz pelo simples fato de que a própria estutura interna dentro dos partidos são antidemocráticas onde prevalecem a vontade das lideranças partidárias.

A democracia representativa é um fiasco e antidemocrática por sua natureza. As pessoas poderão contra-argumentar, afirmando que na Europa e nos Estados Unidos esse modelo funciona. Será mesmo?
Poucos se lembram que a riqueza dos países desenvolvidos são frutos de guerras, como as duas guerras mundiais, e de tentativas revolucionárias empreendidas pelos trabalhadores para superar o capitalismo. As classes dominantes tiveram que ceder os anéis para não perderem o dedo.

Para ilustrar esse quadro, atualmente, em torno de 30 a 50% dos cidadãos dos países desenvolvidos, não comparecem as urnas, já que o voto não é obrigatório, e votam apenas em situações bastante especiais, como foi o caso das eleições francesas em 2002, onde o fascista Jean Marie Le Pen, chegou no segundo turno e, que para afastar a hipótese dele chegar ao poder, a população compareceu em massa para votar no candidato conservador Jacque Chirac.


No Brasil, em razão das grandes desigualdades sociais, há uma tola ideia de que apenas por eleições esse quadro poderá ser mudado. Argumenta-se que o Brasil tem pouca experiência democrática e que é necessário anos e anos para colher os frutos de uma "democracia sólida". Além disso, insiste na tese da sociedade civil como uma forma se contrapor ao Estado para ser efetivada a democracia participativa, o que é bastante discutível, pois em geral, a sociedade civil aparece apenas em momentos de crise institucional, mas aos poucos perdem a sua força, em razão da atuação dos orgãos burocráticos que controlam as ações mais autônomas e autênticas, contribuindo dessa forma para despolitizar os cidadãos.


Como já afirmava o filosofo grego Aristóteles, o homem é um animal político, e nos dias de hoje, é governado por animais. A superação desse quadro, só será possível quando os homens compreenderem que são políticos, se não a política ficará nas mãos de um "grupo de iluminados" e uma ciência oculta que a maioria não compreende.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Europa em chamas


A crise econômica na Grécia e as reformas previdênciarias que ocorrem praticamente em todo o continente demonstram que a Europa em qualquer momento poderá entrar em chamas.

A decadência do sistema representativo, a constante evasão dos trabalhadores nos sindicatos, e a falta de espectativa dos cidadãos em relação ao futuro comprovam que a crise do sistema capitalista está longe do fim.

A intervenção estatal em alguns setores da economia serve apenas para proteger aos interesses privados e não a população que estará sujeita a mais corte de gastos do estado.

A crise econômica poderá ter efeitos tão fortes que nem mesmo as eventuais privatizações e/ou as estatizações permitirão a normalidade do sistema capitalista. No entanto, não se deve iludir que as crises econômicas levaram ao fim do capitalismo, muito pelo contrário, o capitalismo em momentos de crise geralmente recorre a fórmula mágica: aumentar a demanda no setor bélico que poderá conduzir as novas guerras e que estas não serão apenas as velhas guerras tradicionais contra Estados, mas a outras modalidades de guerras que envolveram toda a sociedade.

O futuro dependerá muito de como será a atuação dos trabalhadores em suas lutas cotidianas contra o capital e não há nenhum remédio e nenhuma bula para ser seguido. A melhor recomendação é evitar a criação de orgãos burocráticos e/ou seguí-los como os partidos políticos e sindicatos que historicamente mais atrapalharam do que desenvolveram as ações autonômas dos trabalhadores. Vale o velho lema de Marx: a emancipação dos trabalhadores será obra deles mesmos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Até tu, Fidel?


Fidel pseudomarxista

crédito idiotices.net


Quem diria, que até o ex-líder cubano Fidel Castro, constatou o óbvio. O sistema cubano já não serve mais. O estatismo de inspiração bolchevique comprovou a maior mentira inventada no século XX, a existência do socialismo.

Embora a Revolução Cubana tenha despertado muitos sonhos da geração da juventude latino-americana dos anos 60 e 70 na luta contra o "imperialismo norte-americano", em razão das reformas sociais, como a reforma agrária e urbana, a expansão do sistema educacional e de saúde, empreendidos pelo governo castrista e que rendeu popularidade ao líder e admiração em "setores da intelegentsia de esquerda", especialmente a latino-americana, esconde por um lado que em Cuba desde a tomada de poder em 1959, existe um verdadeiro capitalismo estatal onde a burguesia é o próprio estado.


Por qual razão Fidel Castro tem grande admiração, mesmo sabendo dos seus métodos autoritários?


Em primeiro lugar, desde a revolução russa de 1917, em que o partido bolchevique liderado por Lênin, deu um golpe de estado para assumir o poder, e instaurar o capitalismo de estado, os partidos comunistas de inspiração bolchevique, começaram a empreender uma luta dentro do parlamento contra o imperialismo estadunidense e defender propostas nacionalistas em cada país para chegar o "socialismo". A luta de classes se transformou numa luta contra o império estadunidense. Cuba foi o primeiro país latino-americano a conseguir tal êxito, embora o partido comunista nem "existisse" na ilha e, Fidel tampouco poderia ser denominado de "marxista".


Em segundo lugar, os programas sociais (reforma agrária, sistema educacional e de saúde gratuídos) iludiram a maior parte da juventude esquerdista nos anos 60, que aquele seria o caminho ideal para o projeto de libertação nacional.


Em terceiro lugar, a radicalização dos jovens e a luta de classes nos países latinos-americanos deram origem as ditaduras militares patrocinadas pelos Estados Unidos, que contaram com o apoio dos setores mais conservadores da sociedade. O episódio mais emblemático foi o golpe de estado no Chile desferido por Augusto Pinochet, que interrompeu uma série de reformas no governo de Salvador Allende que levaria ao país ao "socialismo". Curiosamente, o golpe de estado no Chile contou com o apoio "socialista" da China de Mao-Tse-Dung e da União Soviética, de Leonid Brejnev. Fidel por um lado, ficou isolado para dar apoio a Allende que foi esmagado pelas balas fascistas de Pinochet.


Nessa época, vivia-se o terror da guerra fria onde o mundo era divido em dois blocos: pró-Estados Unidos e pró-soviético. Duas potências que tinham dois modelos de desenvolvimento capitalista diferenciados. A estadunidense de capitalismo privado-misto e, a russa de capitalismo estatal que ficou conhecida falsamente como socialista.


Até o fim da guerra fria, Cuba parecia um "exemplo" a ser seguido pelos países latino-americanos em sua luta pela "libertação nacional" contra o imperialismo norte-americano, mas poucos ignoravam a fortíssima influência soviética na ilha, desde que o "libertador" Fidel Castro para provocar os Estados Unidos, em resposta aos sucessivos bombardeios na ilha, praticados pelos mercenários cubanos de Batista com ajuda dos yankes, concedeu aos russos que instalassem mísseis em seu território a 200 km de Miami. A crise dos mísseis quase resultou na terceira guerra mundial.


Fidel Castro e o primeiro ministro soviético Nikita Krushchev

A forte influência soviética marcou definitavamente a economia cubana e o poder de Fidel Castro, sem a qual não teria existido. O curioso é que sete anos antes do inicio do processo revolucionário em Cuba, o movimento de 26 de julho no famoso assalto da Moneda, Fidel era apenas um desconhecido pela maioria da população e, dentro do movimento havia lideranças como mais prestígio entre as massas como Frank País e René Ramos Latour que tinham grandes diferenças com Fidel Castro, mas que se transformaram em "martíres da revolução". No entanto, a histografia oficial mostra que o movimento 26 de julho era apenas em torno da liderança de Fidel Castro. Deve ser destacado, que os Estados Unidos inicialmente deram apoio ao movimento, sem saber que esse apoio se voltaria contra ele.


Após a consolidação do poder de Fidel Castro, diversos personagens ficaram marginalizados por não se submeterem a sua liderança, como o jornalista Carlos Franqui, que antes mesmo do triunfo da revolução, já notara o perfil autoritário de Castro. Franqui morto recentemente, em seu livro Revolução Cubana Mitos e Realidades, afirmou que a maioria dos intelectuais que defendem o regime cubano, não passam de bobos da corte seduzidos pelo poder, como o escritor Gabriel García Marques, famoso pela amizade com o líder cubano. Segundo Franqui, a maioria do movimento lutava contra a subordinação americana, mas também lutava contra o subordinação soviética. Comunista convicto, Franqui deixou a ilha, quando o governo cubano apoiou a invasão da União Soviética a Tchecosláquia, em 1968.


Livro de Carlos Franqui
Cuba, la revolución
¿mito o realidad?

Há outros casos que mostram como o governo cubano era tão subordinado ao poder soviético. Em 1976, a Argentina iniciava a mais feroz ditadura de sua história e curiosamente o Partido Comunista local dera apoio ao golpe e o partido serviu de ponte para Cuba, que por sua vez, serviu de escala para a União Soviética que estava interessada em aumentar as relações comerciais com o país platino. Entre 1976-1982, Argentina e União Soviética mantiveram relações comerciais bilaterais mediadas por Cuba e durante a Guerra das Malvinas de 1982, a junta militar argentina, teve que recorrer ao líder cubano, para receber apoio na louca aventura bélica contra a Inglaterra, que acabou consolidando o triunfo britânico e o fortalecimento de Margareth Tchatcher no cenário internacional.


Outro mito que se esconde é em relação ao embargo comercial imposto aos Estados Unidos. Na verdade o que há, é um lobby de proprietários cubanos instalados em Miami, muito deles pertencentes as antigas elites, que obriga o governo estadunidense a realizar o embargo. No entanto, o embargo apenas solidificou a figura de Fidel na ilha. Mesmo porque é muita tolice acreditar que um grupo enclausurado no poder largará facilmente depois de sua suspensão. Os problemas de Cuba são mais internos do que externos, pois não pode ser ingênuos ao ponto de acreditar que 13 % de seus habitantes que vivam fora do país, a maioria delas sejam conspiradoras "imperialistas". Além disso, o embargo econômico serve para os dois lados, pois a suspensão do embargo provocaria uma revolta da população e ameaçaria qualquer forma de governo seja ele por eleições parlamentares ou por partido único.


Ou seja, Cuba optou pelo caminho do fracasso que é o estatismo. Não se sabe até quando Cuba poderá sustentar um governo autocrático que se utiliza de "alguns mecanismos democráticos" (em Cuba há eleições locais) para se consolidar no poder e todas as alternativas são péssimas. O neoliberalismo pode desenvolver alguns setores, mas produzir misérias ou optar pelo capitalismo chinês que é talvez o mais selvático do mundo. É só acompanhar as greves que pipocam a cada dia onde os trabalhadores são praticamente escravizados, e que no futuro poderá representar uma ameaça a China. Cuba precisa de outra revolução sim, mas desta vez, sendo que os próprios trabalhadores sejam os protagonistas e parar de venerar falsos ídolos, pois como dizia Bakunin: a fé absoluta que um povo credita em um homem transforma em um escravo estúpido.


Fidel apenas constata o que muitos marxistas autênticos anti-partidários (que Lênin qualificava de esquerdistas infantis) já denunciavam: o Estatismo não passa de um capitalismo de Estado. O Estado socialista não passa de uma invenção criada pela burocracia partidária social-democrata e radicalizada através dos bolcheviques. Engels já alertara antes da II Internacional, que deu origem aos partidos operários, de não confundir socialismo com estatização, pois essa confusão pode gerar nada mais em uma criação de um "capitalismo coletivo real".


O fim de Estado de partido único morreu e o século XX apenas comprovou que todas tentativas de mudanças após a tomada de poder (de cima para baixo) fracassaram e todas as formas de governo também. Tolos ou ingênuos são aqueles que acreditam que partidos políticos sejam eles vanguardistas ou de massas impantará o socialismo. Deixem os bobos falarem a vontade porque no futuro ninguém vai precisar deles.