terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Cara das eleições



crédito: movaut


"Ó Deus que mundo é esse, onde os loucos governam os cegos (Shakespeare)

As eleições no Brasil estão de mal a pior, obrigado. É cada vez nítido que a democracia representativa, não apenas no Brasil como no mundo em modo geral, passa por uma crise de identidade que poderá cedo ou tarde comprometer o seu futuro. A crise da representatividade é o reflexo da falta de legimidade dos políticos profissionais e a falta de perspectiva dos eleitores de transformar a sua realidade.

Os partidos políticos são instituições burocráticas que visam apenas a conquista do poder de estado e, são antidemocráticos em sua própria estrutura. Então cabe a seguinte pergunta: Por que votar? O voto obrigatório é democrático? Qual a razão da existência dos partidos políticos?


Infelizmente, a ideologia que sustenta a democracia burguesa afirma que o parlamento é um local de lutas e debates e que através do voto, o eleitor pode fazer a diferença, será mesmo?
Essa foi a maior mentira criada para fortalecer a manutenção do sistema capitalista.

Primeiro, por que as grandes mudanças que existiram na sociedade no século XX, não foi por meio da atuação do parlamento, e sim das lutas praticados pelos setores marginalizados da sociedade como os operários, as mulheres, os negros que aos poucos foram cooptados e corrompidos para atuar no sistema parlamentar. Inicialmente, esses setores tiveram beneficios quando foram incorporados no sistema, no entanto, acabaram se transformando em orgãos burocráticos e desta forma, afastaram de qualquer perspectiva de transformação que antes caracterizavam esses movimentos. A burocratização contribuiu para a despolitização e imobilização da sociedade.


Segundo, o parlamento é local de poder de grupos minoritários onde a maioria não tem voz e nem vez, a não ser por meio do voto. Os partidos de "inspiração socialista" ainda tentam aumentar a participação popular criando instrumentos que a principio serviram para contrapor a democracia burguesa, mas que não passam de mecanismos para a sustentação do poder desses partidos. No momento em que os trabalhadores buscam alternativas autonômas, o "representantes populares" tentam de todas as formas frear esse tipo de atuação para não perderem a sua influência nos movimentos sociais.


Terceiro, o parlamento é antidemocrático por essência:

1) Para atuar no parlamento necessita de dinheiro e /ou de fama,
2) Todos os partidos políticos são altamente burocráticos e os setores populares para poder se representar necessitam aos orgãos que aparentemente os defendem como os sindicatos,
3) Há um forte lobby dos setores economicamente privilegiados que impedem a participação popular,
4) O sistema favorece a corrupção, que é a regra e não a exceção,
5) os representantes não representam os representados, representam os seus grupos que vão desde o empresariado até a burocracia sindical.

A única diferença de uma ditadura e uma democracia em uma sociedade capitalista é que a primeira a política se restringe apenas a classe dominante e, a segunda é restrita para as massas. Ou seja, a ditadura em uma sociedade capitalista surge quando há uma crise institucional que ameaça o poder da burguesia. A democracia representativa serve para atender algumas demandas de "grupos oprimidos" que são facilmente cooptados e corrompidos para a atuar no sistema parlamentar e, desta forma serve para impedir o desenvolvimento de ações autônomas por parte da classe trabalhadora.


No Brasil, as eleições estão polarizadas em dois partidos:

O PT, um partido social-democrata que realiza um governo neoliberal de esquerda, isto é, aumenta a participação do estado na economia, mas não para atacar as causas nefastas do neoliberalismo, mas atacar apenas diminuir os seus efeitos. De fato, existe uma forte "parceria" público-privado, que nada mais é que uma privatização camuflada. O lulismo se caracteriza pelos programas sociais que impulsionaram o mercado interno, o aumento do salário real do trabalhador em especial dos setores públicos por meio de uma política macroeconômica estremamente conservadora.

O PSDB, só tem o nome de social-democrata, é um partido fortemente ligado ao neoliberalismo que se diferença do lulismo apenas na forma de condução. Defende a privatização mais acelerada das empresas estatais, é a favoravel a diminuição da presença do estado da economia assim como a máquina pública e "o aparelhamento do estado", isto é, congelamento de salários dos servidores públicos, menos investimentos em saúde, educação e outros serviços públicos.


Diante dessa quadro, o que pode se esperar é que independentemente do governo eleito não haverá mudanças. Dilma representa a continuação do governo Lula, mas ainda não se sabe o que se esperar dela. É bem provável, que tentará manter a mesma forma de atuação do governo Lula, mas será que terá a mesma habilidade do antecessor? Será que a economia estará segura as crises econômicas? A interferência do estado na economia será suficiente para que elas sejam evitadas? Será que a parceria do setor público e privado na economia terá força?


Serra por outro lado, mesmo se for eleito, terá que manter o assistencialismo que impulsionou o mercado interno caso não queira ter problemas, mas será que ele vai seguir isso a risca? Será que ele terá forças suficientes para elaborar o programa de seu partido? Será que ele vai tentar reeditar o período FHC, já que na atual conjuntura, as políticas neoliberais mais "autênticas" representariam um retrocesso e que pode impulsionar uma grave crise econômica? E como será a sua relação com os servidores públicos?


E a candidata Marina Silva representa mudanças? É claro que não. Tão falso como o discurso ecológico "políticamente correto" e ilusório "como capitalismo ecológico" onde ONGs aventureiras que a apoiam estão de olho para ganhar dinheiro na Amazônia, na qual lutam-se pela criação de parques ecológicos para "diminuir" a devastação e "preservar" a Amazonas, ou seja, nada mais que operar uma privatização da floresta amazonas, adotando um discurso semelhante ao do ex-vice presidente dos Estados Unidos, Albert Al Gore. Todavia, tanto o PT quanto o PSDB apresentam o mesmo programa em relação a Amazônia. Como diria Raul Seixas, a Amazônia é o jardim do quintal dos gringos.


Essa é a cara das eleições e nem duvide que a qualquer momento o PT e o PSDB inimigos hoje possam ser aliados amanhã, ou mesmo não, afinal políticos são todos iguais só que uns são mais iguais que os outros.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A democracia representativa tem futuro?


Eleições, eleições tempo de ilusões, nada melhor para iniciar esse texto sobre um tema que é bastante discutido, mas que poucos conseguem enxergar o óbvio: a falácia da democracia representativa. A sua ineficiência é proposital a ideologia da representatividade, em que sustenta a tese da necessidade dos cidadãos elegerem individuos para cargos admistrativos que supostamente representariam em defesa dos seus interesses.

A democracia representativa surgiu durante a Revolução Francesa em 1789, a partir do momento, em que a burguesia para se defender da desobediência popular que recusou a pagar impostos, resolveu criar a Assembléia Constituinte, para defender os seus privilégios, fazendo-se como representante geral "do povo". Na Assembléia criou dois grupos: no lado direito estavam os representantes dos setores mais ricos e mais conservadores e do lado esquerdo estavam os representantes "mais populares" como os pequenos comerciantes, a pequena burguesia, os artesãos, os camponeses.


Daí que deu origem ao termo direita e esquerda, ainda hoje usados, para designar que, a primeira representa os interesses da elite e, a segunda representa os anseios populares. Há também o grupo do centro, que nada mais é do que uma direita disfarçada, que costura alianças de todas as formas, sendo estes classificados por cientistas políticos, como grupos fisiológicos, ou seja, mudam constantemente de posição para ter maior representatividade e que de certa forma "contaminam" a direita e sobretudo a esquerda. Essa última para ter estabilidade no governo necessita desse apoio e quanto mais ela cresce mais se aproxima do centro e, desta forma, acaba se convertendo ao grupo da ordem, afastando qualquer "probabilidade de governo popular".


O desenvolvimento do capitalismo permitiu a abertura às organizações da classe trabalhadora no quadro institucional, que antes era reservada apenas a classe dominante. No entanto, a inserção das organizações populares teve um efeito paradoxo. Se por um lado garantiu mais força para o atendimento de seus interesses, por outro lado desenvolveu-se uma burocrácia que passou a auxiliar aos interesses da classe dominante, a medida que, estas se transformaram em instrumentos de manutenção da ordem capitalista, passando a defender interesses contraditórios como "a harmonização entre o capital e o trabalho" como é o caso dos sindicatos e os partidos políticos.

Em todas as partes do mundo, a democracia representativa sofre críticas por duas razões: primeiro porque a maioria dos representantes pertencem a classe social privilegiada e representam mais os interesses econômicos de seus grupos e, segundo é a pouca representatividade dos setores populares que não tem recursos suficientes para entrar no quadro institucional, a não ser através de organizações burocráticas como o sindicato e/ou grupos de "defesa de minorias".


O voto simplesmente é "uma armadilha dos tolos" como bem definiu o filósofo francês Jean Paul Sartre, pois ele se fundamenta na falta de capacidade e ignorância dos setores populares de se autogovernarem, sem a necessidade de intermediários, como é caso dos políticos profissionais, que na maioria das vezes atendem mais os interesses minoritários da classe dominante ou da burocracia partidária e/ou sindical.


A única opção para sair do marasmo eleitoral é a ação livre direta dos trabalhadores assalariados em organizações horizontais, e recusar a farsa da "democracia representativa" que não os representa para nada. O eleitor é transformado em mero votante idiota que delegará poder tanto a um espertinho ou a um imbecil e em raros casos de pessoas "bem intencionadas" que acabam se convertendo em um escravo do parlamento. Não existe soluções mágicas para superar isso, e nem adianta rezar a procura de "salvadores da pátria", que na maioria das vezes ficaram marcados na história como os maiores tiranos. Não adianta implorar por ditadura seja ela fascista ou bolchevista, que são por sua essência auto-destrutiva.
Qualquer tipo de reforma na assembléia parlamentar que busque melhorar esse quadro, geralmente é insuficiente e ineficaz pelo simples fato de que a própria estutura interna dentro dos partidos são antidemocráticas onde prevalecem a vontade das lideranças partidárias.

A democracia representativa é um fiasco e antidemocrática por sua natureza. As pessoas poderão contra-argumentar, afirmando que na Europa e nos Estados Unidos esse modelo funciona. Será mesmo?
Poucos se lembram que a riqueza dos países desenvolvidos são frutos de guerras, como as duas guerras mundiais, e de tentativas revolucionárias empreendidas pelos trabalhadores para superar o capitalismo. As classes dominantes tiveram que ceder os anéis para não perderem o dedo.

Para ilustrar esse quadro, atualmente, em torno de 30 a 50% dos cidadãos dos países desenvolvidos, não comparecem as urnas, já que o voto não é obrigatório, e votam apenas em situações bastante especiais, como foi o caso das eleições francesas em 2002, onde o fascista Jean Marie Le Pen, chegou no segundo turno e, que para afastar a hipótese dele chegar ao poder, a população compareceu em massa para votar no candidato conservador Jacque Chirac.


No Brasil, em razão das grandes desigualdades sociais, há uma tola ideia de que apenas por eleições esse quadro poderá ser mudado. Argumenta-se que o Brasil tem pouca experiência democrática e que é necessário anos e anos para colher os frutos de uma "democracia sólida". Além disso, insiste na tese da sociedade civil como uma forma se contrapor ao Estado para ser efetivada a democracia participativa, o que é bastante discutível, pois em geral, a sociedade civil aparece apenas em momentos de crise institucional, mas aos poucos perdem a sua força, em razão da atuação dos orgãos burocráticos que controlam as ações mais autônomas e autênticas, contribuindo dessa forma para despolitizar os cidadãos.


Como já afirmava o filosofo grego Aristóteles, o homem é um animal político, e nos dias de hoje, é governado por animais. A superação desse quadro, só será possível quando os homens compreenderem que são políticos, se não a política ficará nas mãos de um "grupo de iluminados" e uma ciência oculta que a maioria não compreende.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Europa em chamas


A crise econômica na Grécia e as reformas previdênciarias que ocorrem praticamente em todo o continente demonstram que a Europa em qualquer momento poderá entrar em chamas.

A decadência do sistema representativo, a constante evasão dos trabalhadores nos sindicatos, e a falta de espectativa dos cidadãos em relação ao futuro comprovam que a crise do sistema capitalista está longe do fim.

A intervenção estatal em alguns setores da economia serve apenas para proteger aos interesses privados e não a população que estará sujeita a mais corte de gastos do estado.

A crise econômica poderá ter efeitos tão fortes que nem mesmo as eventuais privatizações e/ou as estatizações permitirão a normalidade do sistema capitalista. No entanto, não se deve iludir que as crises econômicas levaram ao fim do capitalismo, muito pelo contrário, o capitalismo em momentos de crise geralmente recorre a fórmula mágica: aumentar a demanda no setor bélico que poderá conduzir as novas guerras e que estas não serão apenas as velhas guerras tradicionais contra Estados, mas a outras modalidades de guerras que envolveram toda a sociedade.

O futuro dependerá muito de como será a atuação dos trabalhadores em suas lutas cotidianas contra o capital e não há nenhum remédio e nenhuma bula para ser seguido. A melhor recomendação é evitar a criação de orgãos burocráticos e/ou seguí-los como os partidos políticos e sindicatos que historicamente mais atrapalharam do que desenvolveram as ações autonômas dos trabalhadores. Vale o velho lema de Marx: a emancipação dos trabalhadores será obra deles mesmos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Até tu, Fidel?


Fidel pseudomarxista

crédito idiotices.net


Quem diria, que até o ex-líder cubano Fidel Castro, constatou o óbvio. O sistema cubano já não serve mais. O estatismo de inspiração bolchevique comprovou a maior mentira inventada no século XX, a existência do socialismo.

Embora a Revolução Cubana tenha despertado muitos sonhos da geração da juventude latino-americana dos anos 60 e 70 na luta contra o "imperialismo norte-americano", em razão das reformas sociais, como a reforma agrária e urbana, a expansão do sistema educacional e de saúde, empreendidos pelo governo castrista e que rendeu popularidade ao líder e admiração em "setores da intelegentsia de esquerda", especialmente a latino-americana, esconde por um lado que em Cuba desde a tomada de poder em 1959, existe um verdadeiro capitalismo estatal onde a burguesia é o próprio estado.


Por qual razão Fidel Castro tem grande admiração, mesmo sabendo dos seus métodos autoritários?


Em primeiro lugar, desde a revolução russa de 1917, em que o partido bolchevique liderado por Lênin, deu um golpe de estado para assumir o poder, e instaurar o capitalismo de estado, os partidos comunistas de inspiração bolchevique, começaram a empreender uma luta dentro do parlamento contra o imperialismo estadunidense e defender propostas nacionalistas em cada país para chegar o "socialismo". A luta de classes se transformou numa luta contra o império estadunidense. Cuba foi o primeiro país latino-americano a conseguir tal êxito, embora o partido comunista nem "existisse" na ilha e, Fidel tampouco poderia ser denominado de "marxista".


Em segundo lugar, os programas sociais (reforma agrária, sistema educacional e de saúde gratuídos) iludiram a maior parte da juventude esquerdista nos anos 60, que aquele seria o caminho ideal para o projeto de libertação nacional.


Em terceiro lugar, a radicalização dos jovens e a luta de classes nos países latinos-americanos deram origem as ditaduras militares patrocinadas pelos Estados Unidos, que contaram com o apoio dos setores mais conservadores da sociedade. O episódio mais emblemático foi o golpe de estado no Chile desferido por Augusto Pinochet, que interrompeu uma série de reformas no governo de Salvador Allende que levaria ao país ao "socialismo". Curiosamente, o golpe de estado no Chile contou com o apoio "socialista" da China de Mao-Tse-Dung e da União Soviética, de Leonid Brejnev. Fidel por um lado, ficou isolado para dar apoio a Allende que foi esmagado pelas balas fascistas de Pinochet.


Nessa época, vivia-se o terror da guerra fria onde o mundo era divido em dois blocos: pró-Estados Unidos e pró-soviético. Duas potências que tinham dois modelos de desenvolvimento capitalista diferenciados. A estadunidense de capitalismo privado-misto e, a russa de capitalismo estatal que ficou conhecida falsamente como socialista.


Até o fim da guerra fria, Cuba parecia um "exemplo" a ser seguido pelos países latino-americanos em sua luta pela "libertação nacional" contra o imperialismo norte-americano, mas poucos ignoravam a fortíssima influência soviética na ilha, desde que o "libertador" Fidel Castro para provocar os Estados Unidos, em resposta aos sucessivos bombardeios na ilha, praticados pelos mercenários cubanos de Batista com ajuda dos yankes, concedeu aos russos que instalassem mísseis em seu território a 200 km de Miami. A crise dos mísseis quase resultou na terceira guerra mundial.


Fidel Castro e o primeiro ministro soviético Nikita Krushchev

A forte influência soviética marcou definitavamente a economia cubana e o poder de Fidel Castro, sem a qual não teria existido. O curioso é que sete anos antes do inicio do processo revolucionário em Cuba, o movimento de 26 de julho no famoso assalto da Moneda, Fidel era apenas um desconhecido pela maioria da população e, dentro do movimento havia lideranças como mais prestígio entre as massas como Frank País e René Ramos Latour que tinham grandes diferenças com Fidel Castro, mas que se transformaram em "martíres da revolução". No entanto, a histografia oficial mostra que o movimento 26 de julho era apenas em torno da liderança de Fidel Castro. Deve ser destacado, que os Estados Unidos inicialmente deram apoio ao movimento, sem saber que esse apoio se voltaria contra ele.


Após a consolidação do poder de Fidel Castro, diversos personagens ficaram marginalizados por não se submeterem a sua liderança, como o jornalista Carlos Franqui, que antes mesmo do triunfo da revolução, já notara o perfil autoritário de Castro. Franqui morto recentemente, em seu livro Revolução Cubana Mitos e Realidades, afirmou que a maioria dos intelectuais que defendem o regime cubano, não passam de bobos da corte seduzidos pelo poder, como o escritor Gabriel García Marques, famoso pela amizade com o líder cubano. Segundo Franqui, a maioria do movimento lutava contra a subordinação americana, mas também lutava contra o subordinação soviética. Comunista convicto, Franqui deixou a ilha, quando o governo cubano apoiou a invasão da União Soviética a Tchecosláquia, em 1968.


Livro de Carlos Franqui
Cuba, la revolución
¿mito o realidad?

Há outros casos que mostram como o governo cubano era tão subordinado ao poder soviético. Em 1976, a Argentina iniciava a mais feroz ditadura de sua história e curiosamente o Partido Comunista local dera apoio ao golpe e o partido serviu de ponte para Cuba, que por sua vez, serviu de escala para a União Soviética que estava interessada em aumentar as relações comerciais com o país platino. Entre 1976-1982, Argentina e União Soviética mantiveram relações comerciais bilaterais mediadas por Cuba e durante a Guerra das Malvinas de 1982, a junta militar argentina, teve que recorrer ao líder cubano, para receber apoio na louca aventura bélica contra a Inglaterra, que acabou consolidando o triunfo britânico e o fortalecimento de Margareth Tchatcher no cenário internacional.


Outro mito que se esconde é em relação ao embargo comercial imposto aos Estados Unidos. Na verdade o que há, é um lobby de proprietários cubanos instalados em Miami, muito deles pertencentes as antigas elites, que obriga o governo estadunidense a realizar o embargo. No entanto, o embargo apenas solidificou a figura de Fidel na ilha. Mesmo porque é muita tolice acreditar que um grupo enclausurado no poder largará facilmente depois de sua suspensão. Os problemas de Cuba são mais internos do que externos, pois não pode ser ingênuos ao ponto de acreditar que 13 % de seus habitantes que vivam fora do país, a maioria delas sejam conspiradoras "imperialistas". Além disso, o embargo econômico serve para os dois lados, pois a suspensão do embargo provocaria uma revolta da população e ameaçaria qualquer forma de governo seja ele por eleições parlamentares ou por partido único.


Ou seja, Cuba optou pelo caminho do fracasso que é o estatismo. Não se sabe até quando Cuba poderá sustentar um governo autocrático que se utiliza de "alguns mecanismos democráticos" (em Cuba há eleições locais) para se consolidar no poder e todas as alternativas são péssimas. O neoliberalismo pode desenvolver alguns setores, mas produzir misérias ou optar pelo capitalismo chinês que é talvez o mais selvático do mundo. É só acompanhar as greves que pipocam a cada dia onde os trabalhadores são praticamente escravizados, e que no futuro poderá representar uma ameaça a China. Cuba precisa de outra revolução sim, mas desta vez, sendo que os próprios trabalhadores sejam os protagonistas e parar de venerar falsos ídolos, pois como dizia Bakunin: a fé absoluta que um povo credita em um homem transforma em um escravo estúpido.


Fidel apenas constata o que muitos marxistas autênticos anti-partidários (que Lênin qualificava de esquerdistas infantis) já denunciavam: o Estatismo não passa de um capitalismo de Estado. O Estado socialista não passa de uma invenção criada pela burocracia partidária social-democrata e radicalizada através dos bolcheviques. Engels já alertara antes da II Internacional, que deu origem aos partidos operários, de não confundir socialismo com estatização, pois essa confusão pode gerar nada mais em uma criação de um "capitalismo coletivo real".


O fim de Estado de partido único morreu e o século XX apenas comprovou que todas tentativas de mudanças após a tomada de poder (de cima para baixo) fracassaram e todas as formas de governo também. Tolos ou ingênuos são aqueles que acreditam que partidos políticos sejam eles vanguardistas ou de massas impantará o socialismo. Deixem os bobos falarem a vontade porque no futuro ninguém vai precisar deles.



segunda-feira, 26 de julho de 2010

A COPA DA ÁFRICA DO SUL, O APARTHEID, E O BRASIL


A África do Sul foi o primeiro país do continente africano a sediar o mais importante evento esportivo, depois de vinte anos da libertação de Nelson Mandela, que pôs fim ao regime de segregação racial, conhecido como apartheid.

A Copa do Mundo de 2010 foi uma grande estratégia de marketing do governo sul-africano com a colaboração da Fifa para promover a nova imagem do país, que apesar das dificuldades enfrentadas no seu cotidiano, em decorrência do passado recente, já tinha dado grandes passos para a democracia, em que as diferenças raciais estariam diminuindo.
No entanto, os meios de comunicação que realizaram uma boa cobertura e foram conhecer a realidade sul-africana acabaram desfazendo esse mito e, comprovaram que a herança do apartheid ainda persiste. São os casos dos condomínios fechados com características de cidades pequenas distribuídos em todos os cantos do país, onde os brancos (afrikanners) vivem separados e que os negros são proibidos de entrar.


Soweto, o bairro mais famoso da África do sul

A realização do torneio deixou desapontada boa parte da população, que antes do mundial, estava iludida com a possibilidade de desfrutar a festa do futebol. Quem de fato, fez a festa foram os mesmos de sempre, as multinacionais patrocinadoras, as empreiteiras que como sempre atrasam obras para obter mais dinheiro do governo, os políticos corruptos, os empresários locais e a redes hoteleiras. E o país? Obviamente faturou bastante durante a competição, através da criação de postos de trabalho temporários, mas o que restará de legado a população?



Torcedores sul-africanos em festa

A África do Sul mostrou além da pobreza que vive a maioria dos seus habitantes, uma péssima infra-estrutura em relação aos meios de transporte, tanto que os deslocamentos realizados para sair dos centros urbanos até aos estádios duravam em média três horas, ou seja, os eventos eram feitos em locais distantes da maioria da população. Esse fato refletiu a ausência de torcedores em alguns setores das arquibancadas durante algumas partidas do mundial em que a Fifa em vão tentou esconder.

Os altos preços dos ingressos e a falta de organização contribuíram também para afastar não apenas os torcedores sul-africanos, mas também a colônia de nigerianos que vivem na África do Sul. Basta recordar o trágico desfecho que houve durante a partida entre a Nigéria X Coréia do Norte, amistoso disputado no país, em que milhares de torcedores ficaram feridos em decorrência da superlotação no estádio.
Além disso, foram registrados diversos casos de violência contra os turistas locais e estrangeiros, a entrada de muitos visitantes sem permissão de viajar fora do país de origem, como os barrabravas argentinos (torcida violenta), as greves de funcionários e de seguranças dos estádios que foram reprimidos severamente pela polícia, e também a falta de organização desde a falta de ingressos até a falta de estrutura nos meios de comunicação.
Daqui há quatro anos, o Brasil será a sede da Copa do Mundo e apresenta os mesmos problemas que a África do Sul enfrenta e para piorar nem começou a se programar para o evento, sinal que a organização será feita do mesmo modo que se viu no país africano.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Espanha Campeã!


Em pé: Pedro, Busquet, Sergio Ramos, Capdevila, Piquet, Xavi Alonso
Agachados: Casillas, Iniesta, Villa, Xavi, Puyol

Olé, olé, olé! Finalmente a Espanha jogou para escanteio a imagem de amarelão em mundiais, ao vencer a Holanda na final por 1x0, com o gol de Iniesta, aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação, conquistando pela primeira vez a copa do mundo. O título coroou uma geração de jogadores talentosos que colocaram a Fúria na oitava nação a vencer uma copa do mundo.

A conquista espanhola não veio por acaso, é resultado de um grande trabalho realizado nas categorias de base há mais de dez anos, que tornou a Espanha, a nação européia mais vitoriosa no continente, mas que ainda não tinha desabrochado para a seleção principal.

O título da Eurocopa há dois anos na Suíça, em cima da forte seleção alemã, colocou os espanhóis como favoritos a conquista da copa na África do Sul. No entanto, um erro de percurso na Copa das Confederações, quando o selecionado espanhol perdeu para o surpreendente time dos Estados Unidos por 2x0 nas semifinais, colocou várias dúvidas dos críticos, especialmente no Brasil, que apostavam em uma nova derrocada espanhola, com argumentos superficiais em que destacava o fato de a Espanha não ter peso na camisa como Brasil, Itália, Alemanha e Argentina e também por ser uma equipe pouco competitiva.

O tropeço na estréia contra a fraca Suíça (0x1) parecia dar razão aos analistas mais tradicionais, presos a uma mentalidade conservadora que não enxergavam força na equipe espanhola, simplesmente repetindo os velhos clichês futebolísticos, como se a copa fosse restrita a apenas ao seleto grupo de campeões.

As vitórias contra Honduras por 2x0, e Chile 2x1, colocaram a Espanha na liderança do Grupo H e, a partir dali iniciou a epopéia da Fúria, que venceu todas as partidas das fases eliminatórias por 1x0, incluindo a final contra a forte seleção holandesa.

O futebol agradece a vitória espanhola. Qual time no mundo tem em seu meio campo Xavi e Iniesta? Qual time tem Casillas e Puyol como símbolos da raça? Qual time do mundo tem um zagueiro tão técnico como Piquet? Qual time do mundo que mesmo com a má fase de Fernando Torres tem um artilheiro como David Villa? E Qual time do mundo tem em seu banco de reserva um jogador como Fábregas?

A Espanha não apresentou um futebol tão vistoso como a seleção brasileira de 1982, não foi a Holanda de 1974 e tampouco foi o Brasil de 1970. Poderia ter jogado melhor? Poderia, mas mesmo assim, foi a equipe que mais priorizou o talento no toque de bola, a arte de jogar futebol.

A intensa temporada prejudicou a regularidade de seus atletas e alguns deles iniciaram a competição lesionados, como Fernando Torres, que não conseguiu balançar as redes no torneio e, também de Iniesta que começou a crescer justamente nos jogos decisivos, realizando até agora o gol mais importante da história do futebol espanhol.

De toda a forma, a Espanha mostrou ao mundo que pode ganhar jogando bem, sem apelar a chutões, faltas e bolas paradas para ser o vencedor. O futebol que assistiu a derrota da grande seleção brasileira de 1982 para a Itália em terras espanholas e, que deu inicio a era do futebol de resultados, celebra o título da Espanha, uma conquista do bom futebol.

sexta-feira, 9 de julho de 2010


O que significa essa logomarca?



Brasileiros e brasileiras preparem-se para a grande roubalheira que está por vir. O logotipo da Copa de 2014 ilustra perfeitamente o que passará durante esses quatros anos. Três manos que representam a expropriação do dinheiro público através do governo, a iniciativa privada que estará isenta de prestar contas e, por fim, a CBF/Fifa que encherá seus cofres para promover o maior evento esportivo do mundo.