segunda-feira, 5 de julho de 2010

FIM DO DUNGUISMO E PÓS-DUNGUISMO EM DISCUSSÃO


A eliminação brasileira nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2010 para a Holanda deve ser encarada de maneira positiva, pois finalmente acabou com o dunguismo, uma filosofia de jogo conservadora que se limita a atacar o adversário, apenas no momento em que o oponente oferece a oportunidade de ser contra atacado.
Foi através desse método de jogo que Dunga permaneceu durante quatro anos no cargo de treinador da seleção brasileira. Durante esse periodo, venceu a Copa América e a Copa das Confedarações e, a partir de então, ganhou o status de treinador, com a responsabilidade de incutir o seu estilo de jogo como modelo a ser seguido pelo futebol brasileiro.

As convocações equivocadas antes do inicio da Copa já indicavam o fracasso que estava por vir. O excessivo contingente de volantes no plantel, em sua maioria poucos qualificados, foi o calcanhar de aquiles de Dunga, que não teve a ousadia de escolher pelo menos dois ou três jogadores mais qualificados para ter a esperança de conquistar o hexacampeonato na África do Sul.  Deu com os burros n’água.
Felizmente o futebol puniu o dunguismo, mas este infelizmente comprometeu o futuro de renovação do futebol brasileiro. De fato, o Brasil sempre revela ótimos atacantes e, é um grande mercado exportador; no entanto, a missão de fazer uma seleção brasileira que será obrigada a vencer a Copa do Mundo em casa é extremamente difícil, muito em razão da escolha do futuro treinador.

Revista Placar 06/2010

A seleção de 2010 não teve em seu plantel nenhuma revelação. De fato, Dunga não aproveitou nenhum jogador da seleção olímpica de 2008, como Hernanes, Lucas, Marcelo e/ou Alexandre Pato. A ausência de jovens jogadores, sem experiência em mundiais, pode comprometer o futuro da seleção na copa que será disputada no Brasil.
E por fim o mais grave. Qual é o jogador da copa de 2010 será aproveitado em 2014? Kaka está prestes a abandonar a carreira, Robinho nunca passou de uma promessa, Luís Fabiano não terá idade para conduzir ataque nenhum, Adriano não inspira confiança, Maicon e Daniel Alves terão fôlego? Lucio e Juan estarão com 36 e 35 anos, respectivamente; mas Thiago Silva e Miranda, aparentemente já despontam como titulares. E quem será o goleiro? Até agora as respostas estão incertas, mas a única certeza é a presença de Ricardo Teixeira como presidente da CBF, que sempre se exime dos fracassos da seleção brasileira.
O Brasil de hoje lembra muita a Alemanha pós Matthäus. Em 2002, os alemães quase ficaram de fora da Copa após terem sido goleados pela Inglaterra por 5x1 nas eliminatórias. Contaram com a sorte nos cruzamentos e o baixo nível técnico apresentado pelas demais equipes para chegar a final contra o Brasil quando foram derrotados pelos gols de Ronaldo. A partir da derrota, os alemães começaram a reestruturar as suas categorias de base visando o Mundial de 2006, já que seria sede do evento. Embora não tenham alcançado o titulo, plantaram as sementes para a formação de uma equipe competitiva.
No caso brasileiro a derrota em casa provoca pavor
Se o Brasil não vencer a Copa do Mundo em casa, será outro desastre do futebol brasileiro, e a responsabilidade de Dunga é imensa, pois ele pode comprometer o sucesso de uma geração que preferiu ignorar em 2010. O dunguismo não deixou nenhum legado para futebol brasileiro e foi longe demais.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Pobreza do futebol na Copa do Mundo de 2010


Um a zero, zero a zero, um a um, dois a zero é goleada! Esse é o futebol apresentado até ao 32° jogo da copa de 2010. Futebol que privilegia o sistema defensivo e a força física, em detrimento à habilidade individual dos jogadores. As seleções que têm jogadores mais qualificados também sucumbem a onda de considerar mais importante formar um conjunto competitivo com operários da bola, que nem sempre são qualificados, em vez de agrupar craques para se formar um conjunto.
As recentes copas do mundo confirmam a tendência dos treinadores de montar esquemas táticos de forte marcação e com poucos jogadores de ataque e o resultado não poderia ser diferente, médias abaixo de 2,5 gols por partida nas últimos mundiais.
Em cada copa cria-se um aspectativa de assistir a grandes jogos, no entanto, o público acaba desiludido com a falta de iniciativa das equipes que preferem jogar a partir do erro do adversário, ao invés de praticar um futebol vistoso que busquem o que é mais sagrado do futebol, o gol.
Há quase um consenso por parte de técnicos que o futebol arte jamais voltará a existir, embora muitos times de futebol ainda têm como filosofia o jogo bonito, como é o caso de Barcelona e Arsenal que são referência de futebol de qualidade. Infelizmente, grandes jogadores quando chegam ao mundial, deparam com a falta de ousadia da maioria dos treinadores das seleções mundiais, que não sabem aproveitá-los adequadamente para o torneio mais importante do mundo. Além disso, vale destacar, que o inicio da Copa do Mundo, começa no final da temporada européia, quando a maioria dos jogadores estão esgotados fisicamente, em razão de um calendário que obriga a jogar partidas a cada três dias.
Até agora a Copa de 2010 registra em média pouco mais de 2 gols por partida e só uma possibilidade remota de que a média de gols aumente nos últimos jogos. Os burocratas, as multinacionais, as redes de televisão não perdem nada com o fraco futebol apresentado até agora, ao contrário ganham muito dinheiro, quem perde é o público, obrigado a acompanhar partidas modorrentas e com equipes muitas vezes mal treinadas e que são condicionadas a atuar de maneira pragmática para vencer as partidas.
O futebol simplesmente reflete a mentalidade conservadora hegemônica no mundo. Nada de utopia, nada de criação, nada do nada. A copa precisa ser reinventada assim como o mundo.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Tragédia das enchentes e a TV


As chuvas fortes que têm ocorrido no Brasil tornaram-se a principal pauta dos telejornais.

As enchentes viraram o assunto nacional, em razão das frequentes tragédias que acontecem, em especial, nas grandes cidades brasileiras onde concentram a maior parte da população. Se em São Paulo, as chuvas fortes provocam grande tensão nas pessoas, ao ponto de paralizar a cidade e causar grande prejuízo, o Rio de Janeiro presencia a mais recente tragédia provocada pelas fortes chuvas, que já registram mais de 100 mortos.

Por que as cidades brasileiras não estão preparadas para evitar que essas tragédias aconteçam?

A causa principal se explica pelo fato de que a maioria das cidades brasileiras não foram planejadas adequadamente para a convivência social e ambiental. A expansão das cidades brasileiras é fruto da formação e do desenvolvimento em função da expansão do capital. Em razão disso, as questões sociais geralmente foram desconsideradas pelos governantes, que a serviço das classes dominantes, resolveram expulsar a população margilizadas dos centros urbanos para locais mais afastados, com o intuito de facilitar a especulação imobiliária e ajudar as empreiteiras na construção de avenidas, pontes, túneis, viadutos.

crédito: ambivalencia

Desta forma, deu inicio a proliferação de favelas nas grandes cidades, onde as classes baixas foram obrigadas a viverem em locais de alto risco que antes era ocupada por florestas.


Geralmente esse assunto não é levado a sério pelos meios de comunicação, que preferem responsabilizar apenas as fortes chuvas e a falta de consciência individual da população como principais causadores das tragédias que assolam os centros urbanos.

As fortes chuvas acontecem desde que o homem surgiu na terra e não serve como desculpa para explicar a falta de planejamento das grandes cidades brasileiras. Em diversas cidades do mundo, já foram adotadas medidas preventivas para controlar as enchentes, como Paris que há mais de cem anos não acontece inundações. Infelizmente, passa anos e anos e poucas medidas são adotadas para solucionar esse problema nos grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, as cidades mais importantes do país.

Enquanto isso, os telejornais apenas reproduz o senso comum de responsabilzar a população inconsciente que joga lixo nas ruas, e de vez em outra, os representantes políticos que não fazem nada para mudar a esta situação. São raras as oportunidades dadas a personalidades que responsabilizam diretamente ao modo de produção dominante que vigora nos dias de hoje como a principal causa das tragédias ambientais que devastam o ser humano.

A Rede Globo, por exemplo, ganhou popularidade a partir do momento que noticiou exclusivamente as enchentes no Rio de Janeiro em 1966, quando nenhum meio de comunicação deu grande destaque. A oportunidade deu impulso a pequena emissora de TV que se transformou em poucos anos no mais importante meio de comunicação do país e, justamente após uma cobertura de enchente.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ADIÓS, NEGRITA


La voz de Latinoamericana

Mercedes Sosa em 1980


Haidée Mercedes Sosa foi embora, mas deixou como legado a sua voz eterna.
Poucas cantoras puderam interpretar tão bem o sentimento do povo oprimido da América Latina.
Foi nesse contexto, que a sua voz apareceu para o mundo, denunciando as ditaduras militares do continente, a violência contra o seu povo, a morte, a tortura e o exílio.
La voz de nuestra Latino América será siempre eterna
gracias a la vida, por você ter existido!

sábado, 12 de setembro de 2009

Eliminatórias: O pesadelo argentino


Não é de hoje que a seleção argentina sofre em eliminatórias da copa do mundo.

Veja o histórico da selección:

1970: A Argentina figurava entre as melhores seleções do mundo e contava com craques como o goleiro Cejas, Perfumo (um dos maiores zagueiros da época), Marzolini, Brindisi, Yazalde. O bom retrospecto na copa da Inglaterra, onde foi eliminada apenas pela anfitriã em uma polêmica partida nas quartas-de-final e, a possibilidade de vencer pela primeira vez a copa do mundo, enchia de esperanças os argentinos. No entanto, a equipe teve em seu grupo a Bolívia e a excelente seleção peruana de Cubillas e Chumpitaz. Nos primeiros dois jogos, duas derrotas fora de casa, uma para a Bolívia em La Paz e, a outra pelo Peru em Lima. Nesse momento suou o apito de alerta. Perder para a Bolívia na altitude é normal e para o Peru?
Sem se dar conta do perigo, a Argentina nem deu tanta bola, pois acreditava que reverteria a situação nos últimos jogos e dessa forma, empataria com os dois times da chave em números de pontos. Tudo deu errado. Uma magra vitória por 1x0 (de pênalti) contra a Bolívia já mostrava os primeiros sinais no que resultaria na desclassificação para a copa de 1970. No último jogo, o empate com a seleção peruana em 2x2 na Bombonera eliminou os argentinos, na única vez que eles foram desclassificados em uma eliminatória. O Peru ficou com cinco pontos, a Bolívia com quatros e, a Argentina ficou na lanterna do grupo com três pontos.

1974: A Argentina encontrou novamente a Bolívia em sua chave de grupo, acompanhados pelo Paraguai. Para não ser surpreendida pela altitude de La Paz, como ocorreu a quatro anos antes a seleção platina, criou um time pirata formado apenas por novos jogadores que tinha como destaque o atacante Mario Kempes, para se ambientar durante um mês na altitude. Resultado 1x0 para os argentinos. A luta ficou contra os paraguaios que contava com o excelente zagueiro Reyes do Flamengo. Na última partida, a Argentina se classificou por 3x1, um resultado muito questionado pelos paraguaios, devido a péssima arbitragem que acabou beneficiando o selecionado albiceleste. Na Copa de 1974, la selección não passou de uma modesta 8° posição, sendo atropelada pela Holanda por 4xo e eliminada pelo Brasil por 2x1.

1986: O ano que consagrou Diego Maradona, como um dos maiores jogadores de todos os tempos, la selección também sofreu nas eliminatórias para conseguir uma vaga na Copa do Mundo no México. Problemas internos entre Passarella (um dos grandes zagueiros na época) e Maradona acrescentados pela forma defensivista de Carlos Bilardo quase criou um racha no elenco. A ausência de Ramón Diaz, principal atacante argentino, desafeto declarado de Maradona serviu para colocar mais lenha na fogueira. Novamente, o Peru foi o adversário a ser batido pelos argentinos. E quase estragou a festa argentina no Monumental de Nuñez quando vencia por 2x1. A Argentina que precisa apenas do empate conseguiu a façanha nos últimos minutos, após uma grande jogada do zagueiro artilheiro Daniel Passarella que classificou os albicelestes.
Na Copa de 86, a situação ficou mais tranquila com a contusão de Passarella na vésperas da Copa, e sem nenhum craque à altura, Maradona conseguiu liderar uma equipe medíocre ao título da Copa e quase repetiu o feito quatro anos depois em 1990.

1994: A Argentina era a grande favorita junto a Alemanha ao título da Copa de 1994. Desde 1990, estava invicta e tinha vencido as duas últimas edições da Copa América de 1991 e 1993 e a Copa da Confederações de 1992. Contava com grandes jogadores como Batistuta, Caniggia, Ruggeri e o astro Fernando Redondo.
Foi então que no dia 5 de setembro de 1993, aconteceu algo inunsitado a equipe blancoceleste levou uma goleada histórica da Colômbia no Monumental de Nuñes 5x0. O resultado provocou a expulsão do goleiro Goicochea (considerado um dos responsáveis pelo vexame) e o retorno de Maradona para a seleção. A Argentina foi obrigada a disputar uma repescagem contra a Austrália para se classificar a Copa de 94 e conseguiu vencer por 1x0 no último ato.
Durante os primeiros jogos, la selección deslumbrou o mundo com um futebol envolvente liderado novamente pelo eterno Don Diego. No entanto, El pibe de Oro foi sorteado no exame anti-doping e foi expulso da copa. Sem Dieguito, a equipe perdeu sintonia e foi eliminada preconcemente pela boa equipe romena, comandada por Hagi.

A Argentina e o inferno das eliminatórias


A Argentina, mum dos países mais tradicionais no mundo da bola, corre o risco de ficar fora da próxima copa do mundo, graças a atitude insensata do presidente da AFA (Associación Argentina de Fútbol), Julio Grandona que permitiu ao ex-craque Diego Maradona assumir o selecionado blancoceleste após a demissão de Alfio Basile.
Maradona assumiu la selección no final do ano passado com a missão de dar cara nova a equipe que nos últimos anos não tem conseguido grandes resultados. Grandona que teve atrito com Don Diego no passado lhe ofereceu o cargo de diretor técnico e com a tarefa de reerguer a alma argentina para ganhar a próxima copa do mundo.
Tanto um como outro caiu com os burros n'água.
Maradona sempre se comportou como maior sabichão do futebol e, fazia questão de se autoproclamar a pessoa ideal para conduzir a seleção argentina e, muitas vez, questionou os trabalhos dos treinadores que passaram pela albiceleste muito deles desafetos como Daniel Passarella. E, também envolvia-se em polêmica com o todo poderoso Julio Grandona
O presidente da AFA para calar Dieguito e dar satisfação aos insucessos obtidos pela seleccíon lhe deu o cargo que tanto almejava. Técnico da Seleção argentina, acompanhado pelo ex-jogador Mancuso e pelo ex-técnico Carlos Bilardo.
Os péssimos resultados obtidos na eliminatórias para a classificação da Copa do Mundo renderam sérias críticas ao trabalho de Maradona. A imprensa e grande parte da torcida, até então anestesiados pela figura do mito, questionam a sua permanência no cargo da seleção argentina.
A Argentina está na corda bamba nas eliminatórias e a saída mais sensata é a renúncia de Maradona, antes que seja tarde.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

LÁ VEM O GOLPE ...


Quem imaginou que a era dos dos golpes militares na América Latina tinha terminado, se enganou.
No dia 28 de junho de 2009, Honduras sofreu um golpe militar orquestrados pelas classes dominantes que depuseram o presidente Zelaya.
Zelaya que nem de longe é um esquerdista, queria empreender reformas políticas que permitiriam uma maior participação popular nas decisões políticas no país. Por esse motivo, a classe dominante local apoiada pela Igreja Católica resolveu aplicar um golpe de Estado para impedir as mudanças de Zelaya.
Os grandes meios de comunicação conhecidos pela oposição ferrenha aos governos de tendências de esquerda, como de Hugo Chavez e Evo Morales, ficaram perplexos diante a esse acontecimento. Hoje, não vivemos em um período democrático?
Para o desgosto da mídia gorda, golpes militares podem retornar a tona quando as elites se sentirem prejudicadas quando estão em jogos os seus interesses. Portanto, a idéia propagada de que as ditaduras militares fazem parte do passado, não passa de uma ilusão criada pelos grandes veículos para esconder a sua participação histórica na defesa dos interesses privados.
O golpe de Honduras pode ser passageiro, mas é uma alerta a todos ....
Ditadura Nuca Mais!